O Confidente

Intimidade é algo muito sério e difícil. Dizem os especialistas que a alegria e o bem estar vêm do Timo e o mesmo fica no plexo, então a palavra íntimo (in timo) significa para dentro do timo. Outros acham que a intimidade é algo que se conquista com o tempo, Eu acho que intimidade é resultado de afinidade, de coerção entre duas pessoas. Intimidade é aquela onde eu posso falar de mim ou sobre mima outra pessoa. Falar de meus sentimentos, fraquezas, alegrias e tristezas. A intimidade não me dá o direito de falar dos outros, o que é falta de respeito. Porém toda essa conversa de divã de analista é para contar uma estória sobre a necessidade que gênero masculino tem de contar sobre algo acontecendo na sua vida, principalmente em relação a algo que fez ou está fazendo quando é relacionado à mulher. Carlos um cidadão comum viajava em um cruzeiro pela primeira vez com mais umas duzentas pessoas. Cabra solteiro metido a cavalo do cão, estava alegre que só pinto em merda. Toda noite era farra, pois, pagara sua passagem “all inclusive”, isto é com tudo incluído, então a cana véia vadiava. Começou a fazer amizades e tudo estava seguindo como o planejado quando de repente aconteceu um acidente e o belo barco que o Carlos viajava adernou. Carlos se acordou numa ilha deserta e falou consigo mesmo: - Puta que pariu. O que foi que aconteceu? Começou a ter uma vaga lembrança com imagens que permeavam sua mente e lembrou que haviam batido em um arrecife de corais e que ele tinha sido jogado no mar e que tinha nadado, nadado até não aguentar mais. Agora estava ali, numa praia deserta de uma ilha, em qualquer lugar do Caribe. Carlos sentou-se, tirou a camisa que estava molhada e ficou olhando os destroços a beira mar. Levantou-se ainda um pouco tonto e foi caminhando devagar, quando percebeu um corpo estendido na areia em decúbito lateral. Aproximou-se com cuidado virou-o e percebeu que era um corpo de uma mulher, por sinal, belíssima e que a tinha visto muitas vezes durante as farras. A mulher apresentava uma leve respiração torácica, estava desacordada. Carlos foi até o pescoço da mulher a procura de pulso encontrando-o começou a reanima-la, fazendo massagem torácica e respiração baca à boca. Após alguns minutos a mulher deu uma golfada de água salgada, ele a pôs de lado para que não se engasgasse e ela começou a tossir. – Respire pelo nariz, respire pelo nariz, pediu prontamente. Ela começa a melhorar a respiração e a cor. - Onde estamos?- Acredito que numa ilha do Caribe, responde Carlos. E quantos sobreviveram? Acho que só tem nós dois. Carlos se senta num arrecife na beira da praia e fica olhando aquele mar de beleza exuberante, uma praia deserta e uma mulher belíssima. Era o sonho de qualquer homem. Reprimiu esses pensamentos por achar que era inoportuno, quando ouviu novamente: - Qual é o seu nome? – Meu nome é Carlos. – O meu é Dolores. Daí em diante foi procurar abrigo, comida e esperar que alguém viesse resgata-los. Passaram-se alguns dias e começaram a ficarem mais íntimos, ou pela situação ou por solidão ou até mesmo pelos dois. Trocavam carícias, beijavam-se por horas na beira do mar, ficavam olhando o pôr do sol ou o sol nascer. Faziam amor o tempo todo e nada de ninguém aparecer. Com o tempo passando, o fogo de Carlos foi amainando, amainando, até que Dolores perguntou-lhe: - O que está acontecendo? – Nada meu amor, nada. – Tem certeza que não está acontecendo nada nesta cabecinha? – É...bom...acho que como só tem nós dois aqui, isso está me perturbando. - Carlos isso tem sido um sonho para mim, estou apaixonada e é só isso que conta. Estar com uma mulher bonita e gostosa, quase nua o tempo todo e apaixonada e você arranjando complicação, é brincadeira. - Não é isso não, Dolores, eu sinto falta de amigos da pelada, do barzinho, amigo confidente para conversar. - Está bem meu amor. Faz de conta que eu vou ser esse seu amigo e vou me chamar de André, tá bom assim? - Tá ótimo querida. Eu vou sair por um lado e você por outro e agente vem andando pela praia e se encontra de repente e faço de conta que sou seu amigo. Carlos já entrou na maionese de Dolores e foi já caminhando pela praia alegremente. De repente Dolores travestida de André sai de um coqueiral e vai de encontro a Carlos. Ele ao avista-la segue o roteiro conforme o combinado e faz a maior festa: - André porra, há quanto que agente não se vê. E vai apertar a mão de André (Dolores) efusivamente como se fosse realmente o amigo. André (Dolores) dá um abraço batendo nas costas feito homem, se afasta um pouco e diz: - Alguma novidade? E o Carlos responde: - Meu irmão tô doido para te contar um negócio. – Pois conte, diz André (Dolores) interpretando o papel. E o Carlos: - Meu amigo, tô comendo uma nega tão boa, mas tão boa, que é difícil de acreditar. André (Dolores)perplexa ficou sem reação.