Eu e o Papai Noel

Nunca fui um homem muito prendado, sempre fui meio bruto e desastrado para algumas coisas. Na época da Universidade ficar de jaleco no laboratório de nutrição era um desastre, pois derrubava tudo e mais algumas coisas. Tinha uma interação social somente com os meus pares, aqueles com os quais eu me identificava. Como eu gostava de estudar, de ler, escrever poesia, me arriscava nas áreas culturais do DCE e assim conseguia conviver com muitas figuras, tanto do lado cachaceiro, desmantelado como do lado mais intelectual, cultural e mais zen da universidade. Nunca fui um grande frequentador de boate, “randevus” e cabarés, porém adorava aquelas conversas noitadas adentro nestes antros, regados a Cuba libre, e alternando estado de embriagues com sobriedade. Determinados casos que relato em minhas crônicas, surgiram dessas conversas, dessas farras. Aventuras e desventuras de um estudante na cidade do Recife na década de setenta. Certa vez estávamos conversando no “MUSTANG” (bar da moda na época) e discutíamos politica com o escritor Najib Jorge Neto, um bom “vivant” e artista de teatro de Olinda chamado Ricardo, um jornalista amigo de Nagib especializado em Vaticano e que tinha uma coluna no diário de Pernambuco chamado Juracy. Como era dezembro, da politica entrou-se no assunto Papai Noel e me perguntaram o que eu achava dele? – Meu irmão, sinceramente eu não me encaixo no servicinho deste véio barbicha, elitista e que só dá presente prá rico e esquece o endereço dos pobres. Todos se entreolharam e como eu era o mais jovem do grupo ficaram admirados com a minha resposta sinceramente esquerdista. – Isso é uma criação americana, disse o Nagib comunista ferrenho. O jornalista que estava até então calado disse que tinha perguntado ao senhor Carol Fernandes (o maior jingueiro do Brasil), um grande publicitário e que e o mesmo havia lhe dito que o Papai Noel era a criação de uma agencia que fazia publicidade da Coca-Cola. Na época fiquei chocado com essa informação e me perguntava se isso era verdade. Muitos anos se passaram e um dia através do cavalo conheci o senhor Carol Fernandes no auge de sua carreira fazendo “jingles” das casas do Zé Araújo, Lux Ótica, Esposende entre outros e falei-lhe da conversa tempos atrás e ele me confirmou que o Papai Noel era criação da Coca-Cola. Vendo-me estarrecido novamente passou uma tarde falando-me sobre o Espirito do Natal que estaria dentro de cada um de nós, na caridade, no amor, e principalmente em tudo que havia dito o aniversariante do dia que era Jesus e que estava esquecido e que isso sim, era encontrar o Espirito do Natal. Dai em diante sempre pautei minha vida a agradecer meus Natais diários, meus ganhos, minhas perdas, como forma de agradecimento ao Espirito Natalino. Só desejo realmente é que cada um que leia a crônica procure e encontre dentro de si o propósito da mensagem do Natal. Tenho descoberto que estou ficando velho e saudosista. Só espero que ninguém me chame pra ser Papai Noel e respeitem meus cabelos brancos. Feliz Natal e um beijo para todo mundo.