Esse é o terceiro

Vaneuza era uma dessas cafetinas velhas que tratava as putas como filhas ajeitavam as meninas de tal forma que sua casa vivia lotada. Passava na rua daquela cidadezinha e cumprimentava a todos com muito respeito e vice-versa. Na verdade, pelos anos trabalhados dona Vaneuza devia ter iniciado muitos daqueles senhores, hoje homens casados e os filhos deles. Certo dia foi procurada pelo homem mais temido da região, o coronel Tavares da Silva, invocado, sério, mas muito seu conhecido. Ele, quando era novo, tomava umas canas e ia para o cabaré e sempre dizia as mesmas coisas, no colo dos fartos peitos de Vaneuza: - Você é a única pessoa que me entende. E assim foi por muitos anos, até quando o Coronel casou com dona Nazaré e ele nunca mais apareceu até aquele dia. – Vaneuza, há quantos anos agente se conhece? – Há muitos anos coronel... há muitos anos.- Eu gostaria de falar com você um assunto particular. – Sou só ouvido. O que é que manda? Eu tenho um filho chamado Manoelzinho Tavares da Silva que está me dando aborrecimento. - Que tipo de aborrecimento? – Vaneuza, esse menino tem vinte anos ainda é donzelo. Ainda não conheceu mulher. - Não acredito coronel. - Com vinte anos e ainda é donzelo? – Pois, é. Eu queria que a senhora arranjasse uma mocinha para ensinar a ele como se faz. - Ora, Coronel isso é coisa muito antiga. Os meninos tem instinto e já sabem naturalmente. – Vá por mim dona Vaneuza. Faça o que estou lhe pedindo. – Tá bom, vou providenciar. Dona Vaneuza, começou a botar a cabeça para pensar e passou vários dias numa cadeira de balanço e assuntando com seus fantasmas, quando deu o estalo: Oh, menina vai chamar minha afilhada Rosa, lá no sítio malhada da onça e diga a ela que dê uma carreirinha aqui em casa. Vá num pé e volte noutro. E assim foi feito. Rosa, morena clara, bonita, cabelo liso comprido, olhos verdes, bem feita de corpo, bem torneada foi chegando e atendendo o chamado da madrinha. Dona Vaneuza explicou-lhe todo o plano. No dia combinado o Manoelzinho chegou todo encabulado no cabaré, porém, quando viu Rosa ficou babando. Paixão a primeira vista. Ficou mais fogoso do que cavalo pai d’égua. Foi logo se derretendo para o lado de Rosa e ela de bate pronto: - Olhe Manoel dona Vaneuza falou comigo e eu queria lhe dizer que sou virgem. Aí foi que o menino endoidou. Rosa não tem problema nenhum, talvez seja até melhor. - Eu só queria que você tivesse paciencia e que o preço do meu cabaço é cinco mil reais. – Tudo bem, disse Manoelzinho já agoniado de tesão... Tudo bem. Ela então o pegou pela mão e levou-o para o quarto. Foi aquela esfregação, era choro, era grito, era sopro, gemido era tudo que se ouvia naquele quarto. Lá para as tantas o Coronel chegou no cabaré e ficou numa mesa tomando cerveja e fumando. Quando o filho saiu do quarto sorridente, o pai foi logo lhe perguntando: - E aí, gostou? Pai gostei demais. A mulé era muito apertada estou todo esfolado. – Oxente, como é que pode? – Ela era donzela, pai. – Isso é conversa, Manoelzinho já visse mulé donzela em cabaré, rapaz? – Mas, pai ela era... Estou acabado, até uma areinha saiu de dentro. Oh, Vaneuza vem cá mulé, chamou o Coronel. Dona Vaneuza achegou-se, sentou na mesa e perguntou: - Diga Coronel. – Como que é essa história? Perguntou o homem meio abusado. – Bom eu não sei, mas acho que a moça cobrou cinco mil pelo cabaço e o seu filho aceitou. – Aceitou, tá aceitado um hôme é um hôme. Pegou o filho pelo braço e foi embora. Vaneuza ficou na mesa sorrindo quando Rosa se aproximou: - Madrinha, tudo certo? – Tudo, querida. – Então, tome sua parte e essa outra é minha. – E o menino desconfiou de alguma coisa? – Oxente, madrinha uma semana de pedra hume na vagina, reconstitui a virgindade até na alma. – Pois é querida esse é o seu terceiro cabaço tirado por esses meninos abestalhados. A pedra hume fervida e esfriada faz milagre.