Tô aposentado, mas em serviço.

Estivemos no Derby/Congresso de vaquejada no parque Rufina Borba em Bezerros-PE. A festa foi vinte por cento menor que a do ano passado, mas foi tão movimentada quanto à do ano anterior que serve de parâmetro para as estatísticas. Vi muitos cavalos, cavalos novos e cavalos muito conhecidos já que o Derby é a prova do cavalo que foi potro do futuro dois anos atrás, isto é, nascidos em 2008. No potro futuro o cavalo corre aos cinco anos e o Derby aos sete. Uma das primeiras avaliações é o comparativo de quantos animais participam do Derby que foram potro do futuro. Os que não compareceram merecem uma investigação porque a menor delas indica morte, claudicação grave, laminites crônicas, síndrome do navicular e distensão. Isso é o resultado preliminar de respostas de questionários de intervistas sobre esses cavalos ausentes. Ora, o uso indiscriminado do cavalo ou o excesso de corridas ou ainda essas duas modalidades podem transformar uma vida útil de sucesso de quinze, vinte anos para uma vida útil de seis, sete anos. Poucos cavalos, com idade na faixa entre quinze e vinte anos participaram do Congresso (animais de qualquer idade), isso demonstra mais uma vez o que venho dizendo em palestras e em salas de aula. Que não damos a devida atenção aos cavalos ditos idosos. E por falar nisso me aposentei da fiscalização (ADAGRO), agora também sou considerado idoso e inativo. Logo no inicio fiquei meio depressivo depois fui me acostumando com a ideia. Como tenho uma agenda muito apertada esqueço que estou ficando velho e aposentado. No sábado antes do Derby fui ao Haras RVN do Rafael Vila Nova para fazer registros e ver a tropa. Após fazer todos os serviços fomos ver os garanhões Nashville, Jesses Sixes e o vovô Movar Zorreiro (22 anos), o cavalo está numa forma de excelência e perguntei ao Rafael como era ele na monta ou na coleta. O Rafael respondeu: - “Quem tem libido alta é ele.” Fiquei radiante com a resposta: - Ele está aposentado das pistas e não das coletas. Neste Derby encontrei o Fernandinho Abreu de Escada velho amigo que estudou no internato do colégio Agrícola comigo. Quando eu apresentei-o ao Pedro de sete meses ele disse: É teu neto? – Claro que não, é meu filho. Respondi. – Tu tens muita coragem ainda fazendo menino nessa idade. Agora, eu vou dar a mesma resposta ao Fernandinho Abreu eu estou aposentado da ADAGRO e não da monta natural ou das coletas, venhamos e convenhamos são coisas bem distintas.