Ser ou não ser.

Como sempre fazia em sua rotina diária Herculano, levanta-se cedo, dá um beijo na mulher e segue para o banheiro onde faz a barba e toma banho. Logo depois, vai até o closed para escolher a roupa que, com muito esmero é separada em prateleiras em camisas sociais, gravatas, meias, paletós, tudo muito organizado. Após se vestir, toma o café da manhã com Ângela, sua esposa, conversam amenidades e se despedem na porta: - Eu te amo, tenha um bom dia, diz Ângela cheia de carinho. – Também te amo. Boa academia e qualquer coisa me ligue. Segue para a empresa onde é diretor de marketing. São casados há dez anos. Conhecera Ângela ainda adolescente em noitadas e ele em inicio de carreira saído recentemente da Faculdade. Namoraram por dois anos e casaram-se. Teve um dia cheio, passara todo o expediente recebendo clientes, montando estratégias de vendas em empresas afiliadas e só no final da tarde, teve tempo de ir a copa comer um sanduiche e tomar um cafezinho neste momento o celular dá sinal de vida, e toca. Herculano olha no visor discretamente, dá as costas para a porta e atende, o telefone: - E aí... tudo bem? A voz do outro lado: – Tudo bem. Estou morrendo de saudade. – Eu também estou, responde. Porque não nos encontramos hoje para matar essa saudade? – Te ligo já já. Lá pelas 19:00 horas tá bom? – Tá ótimo, vou ficar aguardando. Após esse telefonema ficou pensativo, ansioso, e voltou a trabalhar normalmente. As 19:00 horas conforme o combinado pegou o telefone e ligou: – Vamos nos encontrar naquele mesmo local, tomamos alguma coisa e depois vou para casa. – Tá bom, tá ótimo. Só assim nos veremos. Herculano sai do escritório, se despede de todos, pega seu carro vai até a autopista, no sentido leste da cidade. Vai ouvindo musicas de Jorge Vercílo. O fluxo de veículos já havia diminuído bastante naquela hora. Ele chega na entrada do motel, baixa o vidro do carro toca uma campaia e a voz pergunta: – Deseja uma suíte senhor? – Desejo sim, se possível à suíte cinquenta e seis. – Pois não senhor. A voz da campaia soa nítida. O portão se abre e Herculano segue até a suíte. Tira o paletó, dobra a manga da camisa, pega dois copos altos enche-os de gelo e coloca uísque. Sorve devagar apreciando o malte envelhecido. O telefone da suíte cinquenta e seis toca, Herculano atende e uma voz aveludada: - Senhor, tem uma pessoa na portaria pedindo para avisar que chegou. – Pode deixar subir. A porta já destravada se abre suavemente e Herculano recebe o amigo de braços abertos, com a dose de uísque já preparada na mão. Abraçam-se demoradamente, beijam-se e vão sentar-se na mesinha da sala de estar da suíte. As onze em ponto passa a chave suavemente pela porta e vai entrando devagar. Na sala encontra-se Ângela no sofá assistindo televisão: - Oi amor. – Oi, querido. Estava no escritório até agora? – Nada, fui me encontrar com diretores de algumas empresas e ficamos bebendo e comendo alguma coisa. – Ah, tá bom, quer que eu lhe prepare alguma coisa pra comer? – Não, não precisa, estou sem fome. Vou tomar um banho e chego já. Tomou o banho e em vinte minutos estava junto da mulher no sofá. Passa os braços pelas costas dela e fica fazendo carinho em seu ombro e suas costas. Ângela gostava daquela forma carinhosa que Herculano a tratava. Vira-se devagar dá um beijo nos lábios do marido, fica fitando-o por alguns segundos e diz: - Tu me amas? Herculano muito tranquilo fitando- a também responde: - Te amo muito. Mais do que você imagina.

Crônica encomendada pela Profa. Rozélia, para os alunos da pós-graduação em Educação.